Para as conferências de abertura, mesa de afetos e conferência de encerramento, o auditório principal comportará até 300 pessoas, após a lotação do espaço haverá duas salas com transmissão simultânea para os participantes.
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O Serviço Social do Comércio - SESC PE, por meio da Unidade Executiva em Piedade, realizou, em 2008, na cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Teatro Ariano Suassuna, a primeira edição do Seminário Nordeste de Arte-Educação, onde prestou homenagem a Noemia de Araújo Varela e contou com a presença de professores, mestres, doutores e educadores, empenhados nas discussões e propostas pedagógicas à prática do ensino/aprendizagem através da arte/educação.


No anos de 2010 e 2012, contando com o importante apoio da Universidade Federal de Pernambuco, realizou-se, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas, a 2ª e 3ª edições do Seminário Nacional Sesc de Arte/Educação, homenageando, respectivamente, Marco Camarotti e Jomard Muniz de Britto. Os temas dessas duas edições, “Arte-Educação: História e Práxis Pedagógica” e “Ação Cultural: Arte, Educação e Política” deram prosseguimento às discussões que perpassam o pensamento e a prática educacional de arte/educadores e artistas que anseiam por uma pedagogia da arte mais criativa e eficiente.


Em 2014, a intensificação e ampliação dos debates, intercâmbios e pesquisas, além da participação de nomes importantes para a arte/educação nacional e internacional, consolidaram a natureza pedagógica, científica e formativa desta realização, que doravante configura-se como o IV Congresso Internacional Sesc PE e UFPE de Arte/Educação. As discussões giraram em torno do tema “Ecos de Resistências na América Latina” e foram eleitos dois homenageados, o professor, ator e diretor de teatro Carlos Varella, in memoriam, e o professor, escultor, pintor, desenhista, gravurista e ceramista Abelardo da Hora, personalidades marcantes da Arte/Educação local, brasileira e mundial. Em 2016, com o tema "Vida Artista: Diálogos entre Arte/Educação e Filosofia”, prestamos homenagem aos 80 anos de vida de Ana Mae Barbosa e seus 60 anos de magistério.


No presente ano, o SESC PE e a Universidade Federal de Pernambuco, promovem o VI Congresso Internacional Sesc de Arte/Educação, no período de 23 a 27 de julho de 2018, no campus da UFPE. Nesta edição prestaremos uma justa homenagem às arte-educadoras Ingrid Dormien Koudela e Rosa Vasconcellos, pela potente e importante atuação de ambas no campo da arte/educação. A primeira pelos anos de dedicação à pesquisa e sua inestimável contribuição para a história do teatro, no Brasil e no mundo. A segunda pela preciosa contribuição para reestruturação das formas de emprego da arte enquanto agente de transformação social em Pernambuco. O tema "Utopias Pedagógicas em Artes como Gesto de (Re)Existência" norteará os diálogos interdisciplinares e dará prosseguimento às discussões que visam aprofundar o pensamento e a prática educacional de mestres, doutores, professores, estudantes e artistas. Realizaremos, também, lançamento de livros, apresentação de comunicações orais e artísticas, mesas temáticas com renomados palestrantes e conferencistas, além de 25 cursos voltados para a atualização e ampliação dos processos de ensino/aprendizagem de arte/educadores, estudantes e pesquisadores da área.


A realização bienal do Congresso Internacional Sesc de Arte/Educação reafirma e ressalta a presença marcante do SESC, entre as Instituições que mais contribuem para promoção e disseminação da educação artística e cultural deste país. Notadamente, no momento atual, em que nos deparamos com a necessidade urgente de reflexões sobre educação, ética, identidade cultural e liberdade de expressão política e artística, a arte/educação se apresenta como ferramenta indispensável para trabalhar os questionamentos e respostas que permeiam tantas vertentes intelectuais e práticas pedagógicas que proliferam, em busca de uma educação mais lúcida, lúdica e de maior alcance.


Os caminhos para esta educação que se quer mais inteligente e criativa perpassam, inevitavelmente, pelas trilhas da arte/educação e dos saberes, que se cruzam e proliferam em diálogos interdisciplinares, entre as ideias e os afazeres dos profissionais que trabalham tendo por guia a prática pedagógica da arte/educação. O VI Congresso Internacional Sesc de Arte/Educação, além de reafirmar o compromisso do SESC com a educação e a cultura, investe nas propostas pedagógicas voltadas para uma educação de qualidade e de pessoas que desenvolvam seus trabalhos sob a égide da arte/educação, buscando fortalecer, preservar, propor e instigar novos rumos e olhares sobre a educação contemporânea.


O nosso pensamento de aprendizagem da arte está fundamentado na ideia da Abordagem Triangular, conceito-chave na obra de Ana Mae Barbosa¹, que compreende a articulação de três campos conceituais: o apreciar crítico, mobilizando a percepção e a análise formal e simbólica no ato de ler; o conhecer e refletir, por meio da contextualização conceitual, histórica, cultural e estética da produção em arte, e o fazer artístico, oportunizando crianças, jovens e adultos na experimentação dos processos de criação e procedimentos técnicos ao produzir arte e ao sistematizar os resultados das aprendizagens, como também orientá-los nas suas intervenções artísticas.


É preciso, antes de tudo, saber se apropriar das artes, sobretudo no que se refere ao seu manejo, para provocar no indivíduo a curiosidade e o desejo de decodificá-las, dando-lhes significado e importância para engendrar um mundo melhor e mais justo, possibilitando, também, a construção de sua identidade cultural pelo sentimento de pertença. Será este pertencimento em que o indivíduo é formado que lhe dará os links com a sua realidade: criando pontes, abrindo janelas e portas que possibilitem vislumbrar um novo horizonte, pleno de significação, além de despertar o interesse pelo conhecer, construir e compreender.


Uma nova maneira de ensinar e de aprender, pois “a inovação pedagógica implica mudanças qualitativas nas práticas pedagógicas e essas mudanças envolvem sempre um posicionamento crítico, explícito ou implícito, face às práticas pedagógicas tradicionais²”.


A mudança é algo que acontece naturalmente, porém é preciso dar suporte ao indivíduo por meio da liberdade, para que a aquisição da aprendizagem possa ser enfocada como um processo verdadeiramente cultural. O ser humano passa a ser visto na sua totalidade, aprende a atuar dentro da sua realidade, usa e constrói o conhecimento pelo seu potencial criativo, como enfatiza Alvin Toffler³:


A maior parte do que atualmente nos aflige como incompreensível afligiria menos se encarássemos com novos olhos o ritmo crescente de mudanças que faz a realidade às vezes parecer um caleidoscópio enlouquecido. Pois a aceleração das mudanças não atinge apenas indústrias ou nações. É uma força concreta que penetra fundo em nossas vidas pessoais, nos leva a desempenhar novos papéis e nos confronta com o perigo de um mal psicológico inédito e tremendamente perturbador. Essa nova doença pode ser chamada de “choque do futuro”, e um conhecimento de suas fontes e sintomas ajuda a explicar muitas coisas que, de outra forma, desafiam uma análise racional.


A inovação pedagógica é oportuna no momento educacional que vivemos na atualidade. Entretanto, para que ela possa acontecer nas escolas, nos projetos sociais,faz-se necessário que ocorra uma série de investimentos, quebras de paradigmas e um novo olhar, no que diz respeito à aprendizagem. É preciso que haja um olhar e um choque no presente, para que possamos realizar uma educação processual e dialógica.


Mesmo que a escola continue a ostentar o discurso de que prepara o aluno para o futuro, parece que algo permanece incoerente entre a teoria e a prática, pois a escola está cada vez mais distante do novo, do abstrato, do próprio aluno, sendo abocanhada pelas mudanças globalizantes, carecendo aprender com as outras atividades e ciências, para ter a competência de sair do ostracismo imposto pela economia de mercado e para deixar de ser reprodutora de conteúdos que não servem e não serão utilizados pelos alunos nos seus processos de vida. O que na verdade acontece é que se alimenta o poderio de poucos, ajudando estes a se perpetuarem como donos dos conhecimentos e a manterem suas rédeas sobre os demais na sociedade.


Acreditamos que o homem necessita de uma educação plena, que dê conta das suas várias dimensões, pois só assim conhecerá a si próprio e reconhecerá suas próprias qualidades, suas limitações e suas potencialidades: todas colocadas a serviço da transformação da sua realidade.


Reunir os profissionais de educação e cultura do Sesc, das Universidades, escolas públicas e entidades educacionais é, sem dúvidas, abrir as portas para a oxigenação da educação, consolidando espaços significativos para explanação, lançamentos de livros e disseminação de trabalhos científicos e ideias sobre o tema, compartilhando e promovendo o intercâmbio entre a comunidade científica, estudantes, estagiários, educadores e agentes culturais; tornar permanente o diálogo, a informação, a atualização e a crítica em torno das metodologias e práticas do ensino/aprendizagem, entre aqueles que se preocupam e se ocupam em pensar uma educação de qualidade para todos.


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¹ BARBOSA, Ana Mae; CUNHA, Fernanda Pereira. Abordagem triangular no ensino das artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez, 2010.
² FINO, Carlos Nogueira. Inovação pedagógica: significado e campo (de investigação). Funchal: Uma, 2007, p.1. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2016.
³ TOFFLER, Alvin. O choque do futuro. Trad. Eduardo Francisco Alves. 2 ed. São Paulo: Record, 1970, p.22, grifo do autor.