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Curso 08 - Dança, Corpo e Epistemologias Afro Referenciadas: Em Busca de Abordagens Plurais

Curso 08 - Dança, Corpo e Epistemologias Afro Referenciadas: em busca de abordagens plurais

DIAS: 03 A 05 DE NOVEMBRO- AULAS SÍNCRONAS (HORÁRIO: 09H ÀS 11H)

06 A 15 DE NOVEMBRO- AULAS ASSÍNCRONAS

Ministrante: Ivana Motta (Casa de Esquina Criativa na Candangolândia - DF)

Ementa:

Se alinhando à perspectivas que visam valorizar e visibilizar as diversas epistemologias genociadadas pelo processo de colonização, este curso de dança quer gerar reflexões por meio de um trabalho teórico-prático ancorado em epistemologias afro referenciadas, ampliando percepções em busca de uma pluralidade de abordagens em arte/educação . Assumindo um caráter de experimentação em artes, desenvolvemos um trabalho corporal que reconhece matrizes/ motrizes de movimento da capoeira e danças afro brasileiras, em diálogo com elementos das danças contemporâneas e das práticas somáticas, e conecta às epistemologias filosóficas afro referenciadas, gerando a base para um conjunto de ações/reflexões. Estas ações querem agenciar o corpo em suas múltiplas instâncias e inteligências na condição de arcabouço técnico/ expressivo, fomentando um processo que pode ser acessado no âmbito da construção do corpo e seus Estados para cena e/ou para o desenvolvimento de trajetórias educacionais em dança . Para acionar elementos disparadores das ações, nos alimentamos das noções de corpo, subjetividade, cosmopercepção e ontologias trazidas pelas filosofias africanas, com uma aproximação mais específica dos elementos constituintes do Ser elencados pela filosofia kemética. Estes serão fundantes para a construção das práticas pois conduzem as trajetórias que relacionam estímulos físicos, simbólicos e subjetivos que convidarão os corpos às ações/reflexões. . Assumindo uma agenda política urgente, serão abordadas questões que transversalizam as existências negras como diáspora, cultura, empoderamento, representatividade, saberes, ancestralidades, racismo, relações de poder interconectando percepções sobre passado e a atualidade. Sem ter a pretensão de deslegitimar outras referências, desejamos expandir as possibilidades de pensamento em corpo, arte e dança, visitando diferentes lógicas e racionalidades, suleando* as ideias e reafirmando a importância de dar visibilidade a outras possibilidades de compreensão da história, do mundo e de si, reivindicando o direito a reflexões plurais.

(Pluriversalidade) *Termo que problematiza criticamente o “nortear”, referenciar-se aos países do norte como verdade epistemológica universal. “Sulear” ideias é considerar os pensamentos, saberes e epistemologias produzidas no sul, legitimando outras maneiras de reflexão. Referência afetiva à citação de PAULO FREIRE em 1992 em sua obra “A Pedagogia da Esperança”.

PÚBLICO ALVO: Apesar de não ser direcionado exclusivamente às pessoas negras, este é prioritariamente o público-alvo deste trabalho. Por meio de dispositivos da dança, queremos articular saberes e refletir sobre as violências físicas, simbólicas e subjetivas que incidem especificamente sobre estes corpos negros (atual e historicamente) em busca da ressignificação de processos que transversalizam estas existências. Visibilizando uma produção intelectual negra relevante para toda a humanidade,pretendemos direcionar os olhares para o valor do continente Africano como nascente de diversos saberes presentes em nossas sociedades.

Objetivos:

- Desenvolver um trabalho prático/teórico de experimentação em dança conectado à epistemologias afro referenciadas para processos educacionais e/ou processos cênicos;

-Considerando matrizes/motrizes da capoeira e danças afro brasileiras em diálogo com elementos das danças contemporâneas e das práticas somáticas, desenvolver uma prática composta por ações/reflexões que visam engajar o corpo em suas múltiplas instâncias e inteligências enquanto arcabouço técnico/expressivo; -Instigar processos de entendimento do Ser considerando informações vindas de epistemologias afro referenciadas;

-Visibilizar outros referenciais de subjetividade e relação com o mundo (cosmovisão/cosmosensação/cosmopercepção);

- Visibilizar uma produção intelectual negra relevante para toda a humanidade, direcionando olhares para o valor do continente Africano como nascente de diversos saberes presentes em nossas sociedades.

-Valorizar a pluriversalidade e as epistemologias não canônicas; - Instigar reflexões plurais em dança;

-Refletir politicamente sobre existências negras e as violências que incidem sobre estes corpos.

Duração: 20h